O Rio de Janeiro é – literalmente – uma galeria de arte a céu aberto. A cidade abriga a maior coleção de arte pública do Brasil, com mais de 570 obras expostas em parques, praças e ruas, reunindo um acervo cujo início remonta ao século XVII. Nada mais apropriado para a cidade que ostenta o título de “maravilhosa” e que se torna ainda mais interessante ao promover o contato entre a obra de arte, a paisagem natural e as pessoas que por ali circulam.
Essa é a perspectiva do projeto inédito OiR – Outras Ideias para o Rio, de periodicidade bienal, que começa em 07 de setembro de 2012 e termina nas Olimpíadas de 2016, promovendo intervenções inéditas em cartões postais da cidade. São obras de artistas de prestígio internacional que nunca haviam criado para a cidade e foram convidados a propor grandes obras para a paisagem urbana do Rio de Janeiro.
As seis obras desta primeira etapa levam a assinatura dos ingleses Andy Goldsworthy (Cais do Porto) e Brian Eno (Arcos da Lapa), do espanhol Jaume Plensa (Enseada de Botafogo), do norte-americano Robert Morris (Cinelândia), do japonês Ryoji Ikeda (Arpoador) e do brasileiro Henrique Oliveira (Parque Madureira).
O evento tem patrocínio do banco HSBC, da Oi, do Governo do Estado do Rio de Janeiro e da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e conta com apoio cultural do Oi Futuro e do Ministério da Cultura (MinC). A curadoria é de Marcello Dantas.
De 07 de setembro a 02 de novembro de 2012.
Enseada de Botafogo | Cinelândia | Arcos da Lapa | Cais do Porto | Praia do Diabo | Parque Madureira Rio de Janeiro, RJ, Brasil
As obras de Robert Morris, Jaume Plensa, Andy Goldsworthy e Henrique Oliveira estarão abertas ao público dos dias 7 de setembro a 2 de novembro. Para mais informações visite a página do artistas aqui no site. O HSBC oferece um tour gratuito por estas obras nos finais de semana e feriados,com um guia cultural. Saiba mais e inscreva-se.
As projeções de Ryoiji Ikeda e Brian Eno acontecerão em datas específicas e também estão abertas à presença do público. Mais informações na página dos artistas, aqui no site.
Os eventos e visitação às obras são gratuitos.
Canivello/Factoria Comunicação
Clique para mais informações sobre o OiR
Vanessa Cardoso
vanessa@factoriacomunicacao.com
Eduardo Marques
eduardo@canivello.com.br
Tels (21) 2274.0131 / 2239.0835
"Essa cidade que foi iconizada por uma obra de arte pública, o Cristo Redentor (...) precisa ter uma atitude positiva que estimule a criatividade e o diálogo entre culturas distintas."
Clique e confira o texto completo de Marcello Dantas, curador do OiR.
Clique e faça seu cadastramento gratuito no Tour HSBC e conheça as obras com um guia cultural.
“Encontrar abertura
para outras ideias
para o Rio é uma
maneira de colocar
o espetacular contexto
da cidade em evidência”“O olhar estrangeiro
foi o espelho para
nossa própria
identidade, às vezes
nos refletindo, às vezes
nos estranhando”
O Rio de Janeiro é uma cidade com uma deslumbrante vocação para o protagonismo: possui um espaço no imaginário universal – seja pela sua paisagem, sua gente ou a radical experiência urbana que oferece. Um dos desafios que se apresenta para o Rio no momento atual é o de entender-se cada vez mais como palco essencialmente cosmopolita, capaz de absorver diferentes criatividades, culturas e comportamentos para dentro de sua pele urbana. E a arte pública, que tem como característica a capacidade de reverberação em grande escala, aponta justamente nesse sentido: ela está lá para ser apreciada e criticada por todos, para gerar uma zona de atrito entre a fronteira da criatividade e a relação que o cidadão tem com o espaço público.
Encontrar abertura para outras ideias para o Rio é uma maneira de colocar o espetacular contexto da cidade em evidência. Essa cidade que foi iconizada por uma obra de arte pública, o Cristo Redentor, e que germinou poetas como Gentileza em seus viadutos, fez surgir inúmeras obras de artistas brasileiros nas suas ruas, como Waltercio Caldas, Angelo Venosa, Tomie Ohtake, Franz Weissman e Amilcar de Castro, precisa ter uma atitude positiva que estimule a criatividade e o diálogo entre culturas distintas. Isso é premissa fundamental para ser global, contemporâneo e anfitrião de certames tão importantes como Olimpíadas e Copa do Mundo.
Outras sensibilidades são necessárias para nos ajudar a entender quem somos: nos quase cinco séculos de história dessa cidade, artistas e viajantes trouxeram, em diferentes momentos, um olhar outro sobre o que costumávamos entender como a nossa própria imagem, adicionando uma nova camada para a forma como nos identificamos hoje. O que seria da iconografia do Brasil sem nomes como Eckhout, Debret, Ferrez, Verger, entre tantos outros que aportaram por aqui? O olhar estrangeiro foi o espelho para nossa própria identidade, às vezes nos refletindo, às vezes nos estranhando.
O projeto OiR propõe justamente uma espécie de retomada desse olhar estrangeiro a partir da inserção de ideias novas vindas de artistas de diferentes partes do mundo e que nunca haviam desenvolvido obras especificamente para o Rio. Instigados pela cidade, esses artistas responderam a ela.
Os artistas dessa edição de OiR são provenientes de linguagens e origens muito distintas, mas que carregam em comum a experiência de desenvolver trabalhos em grande escala. Existe um elemento comum entre as obras que agora ocupam a cidade, que é a importância e a necessidade de se relacionar com a ideia de meio, aquilo que nos une. Isso se apresenta de maneira evidente no labirinto de vidro de Robert Morris, na delicada Oca de argila de Andy Goldsworthy e na Cascasa de madeira de Henrique Oliveira, obras que dependem de uma relação ativa do público com esses novos espaços inesperados que surgem no tecido urbano.
Ryoji Ikeda, dentro de outra leitura, lança suas projeções digitais que entrelaçam ondas de rádio com as ondas desse mar que é tão marcante na identidade da cidade. Brian Eno, com suas pinturas mapeadas, desmaterializa a arquitetura dos Arcos da Lapa, ícone da cidade. Por fim, a intervenção de Jaume Plensa na paisagem da Enseada de Botafogo – uma cabeça monumental que emerge do espelho d’água, que integra o clássico cartão postal da cidade, em conjunto com o Pão de Açúcar – nos faz repensar essa paisagem, olhando-a de forma diferente, com um novo e inesperado foco.
É através de iniciativas públicas como essas que poderemos encontrar uma porta de acesso dentro da sociedade brasileira para levar cultura de qualidade do mundo para o espaço aberto, acessível, democrático e livre, o que permite que todas as camadas sociais se relacionem com conteúdos normalmente mantidos cerrados para poucos.
O único lugar possível para a arte contemporânea existir é na zona de desconforto, no território fronteiriço da incerteza e do risco. Arte contemporânea tem a função de sempre expandir nossa percepção do que arte pode ser. Isso se intensifica no espaço urbano. Arte pública não é sobre "coisas", mas sim sobre "acontecimentos". Arte pública é o risco amplificado.
Aceitar os riscos envolvidos em desenvolver obras novas em contextos abertos é muito raro. Encontrar parceiros que acreditem na inovação e na ousadia criativa que esse contato pode gerar é algo precioso. O HSBC, a Oi, a Prefeitura da Cidade e o Governo do Estado do Rio de Janeiro são peças fundamentais nessa equação delicada de fazer essa iniciativa acontecer.
Com esse projeto o Rio entra no time das cidades que aceitaram correr esse risco. É hora de abrir a cabeça para ouvir Outras Ideias e pensar o Rio de uma forma diferente. OiR quer dizer Rio ao contrário.
Marcello Dantas, curador de
OiR – Outras Ideias para o Rio